ENSAIO VISUAL A vida do boi
Este ensaio visual, resultado de uma pesquisa etnográfica realizada em Cururupu (MA), acompanha os processos de feitura e ativação do boi na festa do Bumba meu boi de costa de mão. Partindo da ideia de que a festa, anual, precisa ser refeita a cada ciclo, o trabalho enfatiza o “fazer o boi” como prática constante de criação, na qual repetição e invenção se entrelaçam. As fotografias seguem, de um lado, o trabalho do artesão Jongico na construção e reforma da cangalha (base de madeira que serve de sustentação ao boi), destacando a dimensão técnica e sensorial do manejo dos materiais. De outro, acompanham o bordado realizado por Ana Cléa e suas ajudantes, artesãs responsáveis pelo couro ornamentado que confere textura, cor e brilho ao artefato. Esses processos evidenciam como diferentes gestos e saberes transformam madeira, tecido e miçangas em um corpo festivo. O ensaio também focaliza o momento de ativação do boi na festa, quando se dá o acoplamento entre o corpo do miolo (a pessoa que ocupa o interior do boi) e o corpo-artefato. Mais do que animar um objeto, esse encontro potencializa capacidades de movimento já inscritas em sua feitura. Assim, o boi emerge como agente do coletivo, mobilizando relações que viabilizam a realização da festa.