O corpo da tradição: Regimes de autenticidade na música popular brasileira e nas artes marciais chinesas (uma conversa entre pesquisas)
Este texto pretende explorar o entrelaçamento das noções de autenticidade, corpo e tradição presentes na música popular brasileira e nas artes marciais chinesas. Inesperada à primeira vista, tal aproximação repousa nas ressonâncias observadas em ambas as práticas, mais especificamente nos regimes de autenticação atuantes no processo de torná-las “tradicionais”. Partindo de um entendimento expandido da ideia de criação, perguntamo-nos como a noção de autenticidade, para além de servir à legitimação de determinados estilos, técnicas e genealogias, engendra os corpos de maneiras específicas, lançando mão para isso de certos sentidos de origem, hierarquia, linhagem e transmissão. Recusando a premissa de uma autenticidade autoevidente, interessa-nos menos contrapor o “autêntico” ao espúrio do que descrever a agência das imagens, da voz e do movimento na composição dessas tradições.